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A importação está mudando. E a Duimp é parte dessa transformação.

Escrito por Sollis | Aug 18, 2026, 11:29:50 AM

A substituição gradual da DI pela Declaração Única de Importação está transformando a forma como as empresas brasileiras realizam suas operações de comércio exterior. Entenda o que está mudando e por que preparação e qualidade das informações são cada vez mais importantes.

A importação brasileira está passando por uma das maiores transformações de seus processos nas últimas décadas. No centro dessa mudança está a Duimp — Declaração Única de Importação, criada dentro do Novo Processo de Importação (NPI) do Portal Único de Comércio Exterior.

A proposta é modernizar e integrar o processo de importação, concentrando em um ambiente único informações aduaneiras, fiscais, comerciais e logísticas. Ao mesmo tempo, a tradicional Declaração de Importação (DI) está sendo desligada de forma gradual, conforme um cronograma definido pelos órgãos responsáveis.

Em 2026, essa transição ganhou ainda mais força. Para as empresas que importam, isso significa que acompanhar o cronograma deixou de ser uma recomendação: é parte do planejamento operacional.

O que é a Duimp?

A Duimp é a Declaração Única de Importação e integra o novo modelo de processamento das operações de comércio exterior dentro do Portal Único.

Diferentemente do modelo tradicional, em que diferentes etapas e documentos eram processados de forma mais fragmentada, a proposta do NPI é centralizar informações e tornar o fluxo mais integrado.

A Duimp reúne informações relacionadas à mercadoria, ao importador, à operação, aos tributos, ao tratamento administrativo e aos demais elementos necessários ao despacho.

A Receita Federal explica que a utilização obrigatória da Duimp e o desligamento da DI acontecem de maneira gradual, seguindo cronograma específico para diferentes tipos de operação.

Isso significa que DI e Duimp convivem durante a fase de transição, mas essa realidade não será permanente.

Por que a DI está sendo substituída?

A mudança faz parte do Programa Portal Único de Comércio Exterior, que busca simplificar e modernizar os processos de importação e exportação no Brasil.

A ideia é reduzir burocracias, integrar órgãos intervenientes e permitir que diferentes etapas da operação sejam realizadas de maneira mais coordenada.

O novo processo também busca melhorar a gestão das informações e ampliar a previsibilidade das operações.

Para o importador, porém, existe uma consequência prática: a qualidade e a organização das informações passam a ter ainda mais importância.

No novo ambiente, dados incorretos, incompletos ou inconsistentes podem gerar impactos no processamento da operação.

A transição já está acontecendo

O desligamento da DI não ocorre de uma única vez para todas as operações.

O Siscomex mantém um cronograma de desligamento da DI, atualizado ao longo da implementação do Novo Processo de Importação. O cronograma estabelece as operações que passam a ter uso obrigatório da Duimp e aquelas que deixam de poder ser registradas por meio da DI.

Em 2026, novas etapas foram incorporadas ao processo. O próprio cronograma passou por atualizações durante o ano, incluindo mudanças e adiamentos de algumas datas para garantir maior segurança e estabilidade operacional.

A Receita Federal também disponibiliza um simulador que permite verificar, de acordo com as características da operação, se a Duimp já é obrigatória ou qual é a previsão de desligamento da DI.

Por isso, uma das principais recomendações para quem importa é simples:

não presuma que a próxima operação poderá seguir o mesmo procedimento da anterior.

É necessário verificar o enquadramento de cada operação e acompanhar as atualizações oficiais.

O Catálogo de Produtos ganha importância

Uma das mudanças relevantes trazidas pelo Novo Processo de Importação é o Catálogo de Produtos.

A ferramenta permite estruturar previamente as informações relacionadas aos produtos que serão importados. Isso contribui para que os dados utilizados nas operações sejam mais padronizados e consistentes.

Mas o catálogo não deve ser encarado simplesmente como mais um cadastro.

Ele passa a ser uma parte importante da preparação da operação.

Descrição do produto, características, especificações técnicas, classificação e demais atributos precisam estar corretamente preenchidos de acordo com as exigências aplicáveis.

E essas exigências continuam evoluindo.

Em julho de 2026, o Siscomex comunicou novos ajustes nos atributos do Catálogo de Produtos, decorrentes do processo contínuo de revisão e harmonização das informações e das necessidades dos órgãos anuentes e demais intervenientes.

Isso demonstra que o importador precisa acompanhar não apenas o cronograma da Duimp, mas também as atualizações dos próprios atributos exigidos.

Mais integração também significa mais atenção aos detalhes

A Duimp não representa simplesmente uma troca de documento.

A mudança altera a forma como as informações circulam dentro do processo de importação.

Órgãos anuentes passam a atuar de maneira integrada ao Portal Único, utilizando informações específicas da operação.

A Anvisa, por exemplo, avançou na migração para o novo modelo. Desde 27 de abril de 2026, diversas operações sujeitas à sua anuência passaram a ser registradas exclusivamente por meio da Duimp.

Em maio, uma nova exigência passou a valer para determinadas operações: Duimps de produtos e finalidades sujeitos à anuência da Anvisa precisam conter o atributo referente à finalidade da importação. O preenchimento incorreto ou ausente pode direcionar a declaração para canais de conferência.

O exemplo mostra por que o preenchimento correto das informações é tão importante.

No novo modelo, cada campo pode fazer parte do fluxo de análise da operação.

E o LPCO?

Outro elemento importante do Novo Processo de Importação é o LPCO — Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos.

O LPCO permite que documentos e autorizações necessários à operação sejam tratados de maneira integrada ao Portal Único, especialmente nos casos em que determinados órgãos exercem controle administrativo.

O objetivo é substituir procedimentos mais fragmentados por um fluxo eletrônico integrado.

Para o importador, isso significa que o planejamento da operação precisa considerar antecipadamente quais órgãos intervenientes estão envolvidos e quais informações ou autorizações serão necessárias.

O que muda na rotina das empresas?

A transição para a Duimp exige uma mudança de mentalidade.

No modelo anterior, muitas empresas estavam acostumadas a concentrar parte importante das informações no momento do despacho.

Com o Novo Processo de Importação, ganha força a necessidade de preparar corretamente os dados antes do registro da declaração.

Isso envolve:

  • revisar o cadastro dos produtos;
  • conferir a NCM e demais classificações aplicáveis;
  • manter atualizadas as características e especificações das mercadorias;
  • identificar os órgãos anuentes envolvidos;
  • verificar a necessidade de LPCO;
  • acompanhar alterações nos atributos do Catálogo de Produtos;
  • manter sistemas internos preparados;
  • acompanhar o cronograma de desligamento da DI.

Em outras palavras, a importação começa a exigir ainda mais organização antes da chegada da mercadoria.

A tecnologia muda, mas o planejamento continua essencial

É importante entender que a digitalização não elimina a complexidade do comércio exterior.

Pelo contrário: ela torna ainda mais importante o conhecimento técnico necessário para alimentar corretamente os sistemas.

Uma plataforma mais integrada pode tornar o processo mais eficiente, mas depende da qualidade das informações inseridas.

Por isso, empresas que importam regularmente precisam olhar para a Duimp não apenas como uma obrigação do governo, mas como uma mudança estrutural na maneira de operar o comércio exterior.

A preparação pode ajudar a reduzir retrabalho, evitar inconsistências e proporcionar maior previsibilidade às operações.

O que o importador deve fazer agora?

A primeira medida é verificar quais operações da empresa já estão sujeitas à Duimp e quais possuem datas previstas para o desligamento da DI.

O segundo passo é revisar os cadastros e processos internos.

Também é importante verificar se os sistemas utilizados pela empresa estão preparados para o novo modelo e se as informações do Catálogo de Produtos estão atualizadas.

Outro ponto fundamental é acompanhar as publicações oficiais do Siscomex. O cronograma e os procedimentos continuam sendo atualizados durante a implementação.

O próprio Portal Único mantém manuais específicos para o Catálogo de Produtos, Duimp e LPCO, com atualizações realizadas ao longo do processo de implantação.

Uma nova fase para o comércio exterior brasileiro

A Duimp representa uma transformação significativa na importação brasileira.

A substituição gradual da DI, a integração dos órgãos anuentes, o Catálogo de Produtos, o LPCO e a centralização das informações fazem parte de um movimento maior de digitalização do comércio exterior.

Para as empresas, o principal desafio não está apenas em aprender a utilizar uma nova declaração.

Está em adaptar processos, organizar informações e antecipar as necessidades de cada operação.

A importação está mudando — e essa transformação já está acontecendo.

Para quem atua no comércio exterior, acompanhar as mudanças é uma forma de reduzir riscos e estar preparado para o próximo passo.

Na Sollis Trading, entendemos que grandes operações começam muito antes de chegar ao porto. E, em um comércio exterior cada vez mais digital e integrado, planejamento, informação e acompanhamento fazem toda a diferença.

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